O que está acontecendo com o bitcoin? Entenda em 5 minutos
O mercado de criptomoedas é tão imprevisível quanto o clima. Se você acompanhou as notícias financeiras recentemente e se perguntou o que está acontecendo com o bitcoin, saiba que não está sozinho. Embora não possamos controlar a chuva, podemos nos preparar para ela.
Atualmente, o ativo enfrenta um período de baixa prolongada, conhecido como bear market. A questão principal não é se o preço vai subir ou cair amanhã, mas sim entender em que parte dessa tempestade nós estamos.
Quanto tempo duram as quedas?

Para responder o que está acontecendo com o bitcoin hoje, precisamos olhar para o passado e identificar padrões históricos. O “inverno” da criptomoeda costuma durar entre 12 a 13 meses:
- 2013-2015: cerca de 13 meses de queda
- 2018-2019: cerca de 12 meses de queda
- 2021-2022: cerca de 12 meses de queda
Se considerarmos que o último grande pico em dólares ocorreu em outubro de 2025, esse padrão sugere que o período de baixa poderia se estender até outubro de 2026.
Bitcoin vs. Ouro: uma nova perspectiva
E se medíssemos o bitcoin em ouro, a reserva de valor mais tradicional do mundo, em vez de dólares?

O padrão de queda de 12 a 13 meses se mantém, mas o calendário muda. O topo do bitcoin em onças de ouro ocorreu em janeiro de 2025 (antes do pico em dólar). Isso nos deixa com dois cenários possíveis:
- Cenário 1 (Dólar): o padrão em moeda fiduciária prevalece, e a baixa se estende até o final de 2026.
- Cenário 2 (Ouro): o padrão em ouro dita a regra, o que sugere que o fundo do poço pode estar acontecendo exatamente agora, entre fevereiro e março de 2026, indicando que o mercado já está próximo de uma reversão.
O cenário global: o que está causando essa incerteza?
Boa parte do que está acontecendo com o bitcoin tem raízes fora do mercado cripto. Desde o início do novo mandato de Donald Trump, o mundo enfrenta:
- Tarifas comerciais agressivas.
- Conflitos institucionais internos nos EUA.
- Alta tensão geopolítica com países como China e Irã.
Esses fatores jogaram o Índice de Incerteza Econômica nas alturas. Com o mercado operando como se dirigisse em uma estrada com forte neblina, os investidores tendem a buscar refúgios tradicionais (como o próprio ouro), drenando temporariamente o capital da criptomoeda.

Esse indicador que mede o nível de incerteza disparou. É como se o mercado estivesse dirigindo numa estrada com neblina densa. As pessoas reduzem a velocidade ou até mesmo param o carro de vez, isso em termos de mercado é como correr para o que consideram mais seguro naquele exato momento, perdem perspectiva do futuro.
Nesse caso, o ouro se beneficiou muito dessa incerteza. Isso explica por que o BTC contra o ouro sofreu mais do que contra o dólar.
O impacto dos ETFs e a fuga de capital

A aprovação dos ETFs permitiu que gigantes de Wall Street entrassem no mercado com facilidade, mas a saída também ficou mais rápida.
Desde o pico de outubro de 2025, cerca de US$ 7,8 bilhões saíram desses fundos, pressionando o preço para baixo. Em momentos de incerteza, os investidores de curto prazo fogem. Contudo, isso não significa que os fundamentos da moeda mudaram.
O que as “baleias” estão fazendo?

Baleias são investidores com quantidades tão grandes de ativos que suas compras ou vendas têm o poder de movimentar os preços de todo o mercado. No mercado cripto, chamamos de baleias os investidores que possuem uma quantidade muito grande de bitcoin. O nome vem do mercado financeiro tradicional. Assim como uma baleia no oceano consegue mover a água ao seu redor, um investidor muito grande consegue influenciar o mercado quando decide comprar ou vender.
De forma prática, normalmente o mercado considera como baleia quem possui 1.000 BTC ou mais. Para ter uma ideia de escala, dependendo do preço do bitcoin, isso pode representar centenas de milhões de dólares.
Enquanto o pequeno investidor entra em pânico, grandes players costumam agir com mais frieza, por isso o comportamento geral dos grandes investidores do universo cripto sempre foi uma bússola para entender se estamos nas áreas mais próximas aos topos ou aos fundos.
- Um exemplo claro: a Mubadala Investment Company, fundo soberano de Abu Dhabi no Emirados dos Árabes Unidos, aumentou significativamente sua exposição ao bitcoin, acumulando mais de US$1 bilhão em ETFs no final de 2025/início de 2026.
- O que isso significa? Os grandes estão tratando bitcoin como ouro digital de longo prazo. Não como dinheiro rápido e aposta de curto prazo.
Sentimento do mercado: oportunidade ou medo?


O Fear and Greed Index (Índice de Medo e Ganância) atingiu níveis de “Medo Extremo”. No mercado financeiro, existe uma regra de ouro: comprar durante o desespero alheio costuma ser muito mais rentável do que comprar na euforia. É nessa zona de medo extremo que os melhores preços médios são construídos.
Em fevereiro de 2026, o indicador ficou abaixo de 10 por grande parte do tempo. Chegou a 5. Para comparação: na pandemia da COVID, bateu 9. Isso é medo extremo. E aqui vai uma analogia simples:
Quando todo mundo quer comprar guarda-chuva porque está chovendo, o preço sobe. Quando o sol aparece todo mundo ignora a necessidade de guarda-chuva e o preço cai. A chance de acumular BTC agora é igual comprar guarda-chuva quando está sol, quando você perceber que precisa o preço já foi.
Historicamente, comprar no medo foi muito mais eficiente do que comprar na euforia. Isso significa que já é o fundo? Não. Mas significa que estatisticamente estamos na zona onde os melhores preços médios costumam ser construídos. Aqui suas chances são melhores.
O que fazer agora?
A chave não é tentar adivinhar o fundo exato do poço, mas construir uma posição inteligente. A estratégia ideal para este momento é o Aporte Fracionado (DCA – Dollar Cost Averaging): comprar pequenas quantias regularmente.
Ao acumular nos momentos de medo e realizar lucros na euforia, você se posiciona para retornos significativos com muito menos estresse emocional.
Exemplo real:
- Fundo anterior: US$15 mil
- Topo: US$126 mil → retorno de 8x
Sua chance de conseguir exatamente isso é como ser um atleta olímpico do mercado.
Mas imagine alguém que:
- Fez preço médio de compra em US$30 mil, só acumulando fracionadamente em zona de medo e vendo os padrões de duração do mercado de baixa
- Fez preço médio de venda em US$90 mil, só realizando lucros fracionadamente em zona de euforia e vendo os padrões de duração do mercado de alta.
- Sem tentar acertar o fundo nem o topo.
Resultado? Cerca de 3x o capital em 3 anos, com muito menos estresse. Isso é estratégia. Não é achar que da noite para o dia é possível se tornar o melhor investidor do mercado. A humildade tem suas virtudes em cripto também.
Conclusão: afinal, o que está acontecendo com o bitcoin?
Estamos em um ponto crítico do ciclo. O que está acontecendo com o bitcoin hoje é a clássica formação de uma oportunidade de transferência de riqueza. Embora a volatilidade possa trazer quedas adicionais no curto prazo, o mercado também pode se recuperar antes do esperado. Reduza o risco investindo aos poucos, mas certifique-se de estar posicionado antes que a neblina dissipe e a próxima onda de euforia comece. Temos dois cenários:
- Ainda restam alguns meses de pressão
- Estamos perto da virada
Mas ambos compartilham algo importante: estamos na parte do ciclo onde historicamente constroem os melhores preços médios.
Pode cair mais? Sim. Pode virar antes? Também. Mas quem faz aportes fracionados agora:
- Diminui o risco de errar o timing
- Remove a ansiedade
- Se posiciona antes da euforia voltar
Mercado é cíclico. O medo sempre parece permanente quando estamos dentro dele. Mas olhando para trás, os períodos de maior medo foram exatamente onde as maiores oportunidades nasceram.